Orientandos:
DUCILENE CONCEIÇÃO SILVA
JAQUELINE DOS SANTOS SOUZA
JHONATHA GOUVEIA RIBEIRO
DA SILVA
LEANDRA
DE OLIVEIRA ANDRADE
PAULO FERNANDO DOS SANTOS
DOS SANTOS
Orientador: José Raimundo
Alves
A população
brasileira formou-se a partir de três grupos étnicos básicos: o indígena, o
branco e o negro. A intensa miscigenação (cruzamentos) ocorrida entre esses
grupos deu origem aos numerosos mestiços ou pardos, cujos tipos fundamentais
são os seguintes: mulato (branco + negro), o mais numeroso; caboclo ou mameluco
(branco + índio) e cafuzo (negro + índio), o menos numeroso.
A população
brasileira é, assim, caracterizada por grande diversidade étnica e intensa
miscigenação.
A elevada
miscigenação ocorrida no período colonial, principalmente entre brancos
(portugueses) e negros (africanos), explica o rápido crescimento do contingente
de mulatos em relação ao contingente de negros.
Em 1800, os negros
eram 47% da população, contra 30% de mulatos e 23% de brancos. Fatores como,
por exemplo, a proibição do tráfico de escravos (1850), a elevada mortalidade
da população negra, o forte estímulo à imigração europeia (expansão cafeeira),
além da intensa miscigenação entre brancos e negros, alteraram profundamente a
composição étnica da população brasileira. Em 1880, os negros estavam reduzidos
a 20% da população, contra 42% de mulatos e 38% de brancos. Daí em diante,
ocorreu à diminuição constante da população negra e aumento progressivo da
população branca (intensificação da imigração europeia, após a Abolição da
Escravidão). Em 1991, os negros eram apenas 4,8% da população total, contra
55,2% de brancos e 39,2% de mestiços.
Excluídos do
processo de desenvolvimento econômico e social do país, os negros formam
atualmente, ao lado de grande parte de outras camadas não brancas (mulatos,
índios etc.) um enorme contingente de brasileiros marginalizados.
Os dados
estatísticos fornecidos pelo recenseamento gerais são relativamente precários
e, até mesmo, omissos. No censo demográfico de 1970, por exemplo, no auge de
regime militar, não há nada relativo aos negros e aos índios. Por quê? Manobra
estratégica do governo para impedir a conscientização ou atuação de grupos
étnicos minoritários?
Os números
oficiais, principalmente os que se referem a brancos e negros, são passíveis de
questionamento.
·
O primeiro
recenseamento oficial no Brasil só foi realizado em 1872, ou seja, 372 anos
após a chegada dos portugueses e cinquenta anos após a Independência do país.
·
Há muita
controvérsia com relação ao número de negros que entraram no Brasil, o mesmo
ocorrendo com relação à população indígena que habitava o país na época da
chegada dos colonizadores.
·
A ideologia do
branqueamento, imposta pelo europeu, apregoando a superioridade do branco
("quanto mais branco, melhor") fez com que muitos indivíduos de
ascendência negra passassem por brancos nos recenseamentos, a fim de obter
maior aceitação social.
·
Fatos como esse
permitem supor que os números mostrados são exagerados para mais, em relação
aos brancos, e para menos, em relação aos negros.
·
A ideologia do
branqueamento nada mais é que um modelo discriminatório, de natureza racista,
criado pelas elites dominantes para marginalizar os negros, impedindo-os de
obter ascensão social, econômica e cultural. O branqueamento teve importância
decisiva no processo de descaracterização (enquanto raça) e no esvaziamento da
consciência étnica dos negros.
·
O mulato, produto
da miscigenação entre brancos e negros, constitui importante exemplo do poder
de influência da ideologia do branqueamento. Por mais "claro" e mais
bem-aceito socialmente que o negro, o mulato passou a se considerar superior ao
negro, assimilando, com isso, a ideologia do branqueamento.
As cores do
brasileiro
A identidade e a
consciência étnicas são penosamente escamoteadas pelos brasileiros. Ao se autoanalisarem,
procuram sempre elementos de identificação com os símbolos étnicos da camada
branca dominante.
No censo de 1980,
por exemplo, os não brancos brasileiros, ao serem inquiridos pelos
pesquisadores do IBGE sobre a sua cor, responderam que ela era acastanhada,
agalegada, alva, alva escura, alvarenta, alva rosada, alvinha, amarela,
amarelada, amarela queimada, amarelosa, amorenada, avermelhada, azul, azul
marinho, baiano, bem branca, bem clara, bem morena, branca, branca avermelhada,
branca melada, branca morena, branca pálida, branca queimada, branca sardenta,
branca suja, branquiça, branquinha, loura, melada, mestiça, miscigenação,
mista, morena, morena bem chegada, morena bronzeada, morena canelada, morena
castanha, morena clara, morena cor de canela, morenada, morena escura, morena
fechada, morenão, morena prata, morena roxa, morena ruiva, morena trigueira,
moreninha, mulata, mulatinha, negra, negrota, pálida, paraíba, parda, parda
clara, polaca, pouco clara, pouco morena, preta, pretinha, puxa para branca,
quase negra, queimada, queimada de praia, queimada de sol, regular, retinha,
rosa, rosada, rosa queimada, roxa, ruiva, russo, sapecada, sarará, saraúba,
tostada, trigo, trigueira, turva, verde, vermelha, além de outros que não
declararam a cor. O total de 136 cores bem demonstra como o brasileiro foge da
sua verdade étnica, procurando, através de simbolismos de fuga, situar-se o
mais possível próximo do modelo tido como superior.
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Referência